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Photo AlbumMar 22, '06 6:24 AM
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O elevador de Santa Justa celebrou cem anos no dia 10 de Julho de 2002, e é o único elevador vertical em Lisboa a prestar um serviço público.
Feito inteiramente de ferro fundido e enriquecido com trabalhos em filigrana, o elevador dentro da torre sobe 45 metros e leva 45 pessoas em cada cabine (existem duas). Em design neogótico romântico, este elevador é definitivamente algo que não se pode perder!
A estrutura é composta por duas torres metálicas geminadas, de 45 metros de altura, além do passadiço e respectivo pilar. No topo, onde originalmente se situavam as máquinas a vapor destinadas à propulsão do elevador, há agora uma esplanada panorâmica, com uma vista privilegiada sobre a baixa lisboeta.
O elevador de Santa Justa foi o último dos nove ascensores de Lisboa a ser construído e um dos quatro que ainda estão em funcionamento - Lavra, Glória e Bica - e foi projectado pelo engenheiro portuense Raoul Mesnier du Ponsard.
Nesta altura Ponsard ficou sendo o responsável das obras e ao Dr. Silvestre D'Almeida foi entregue a gerência da Sociedade cabendo-lhe nessa qualidade as tarefas de administração, fiscalização e escrituração bem como a assinatura de todos os documentos de receita e despesa.
A decisão da Câmara teve realidade oficial e definitiva mediante contrato celebrado a 17 de Março de 1900. Por tal diploma Ponsard comprometia-se a apresentar o projecto definitivo num prazo de seis meses; o elevador deveria estar pronto e em condições de funcionamento um ano após a aprovação do projecto e à Câmara deveriam ser pagos 400 mil réis por ocupação da via pública e 80 passes gratuitos.
O vapor, a fonte de tracção original, foi substituído pela electricidade em 1907, depois de o ascensor ter sido arrendado à Carris, que acabou por o comprar. Foi classificado como monumento nacional em 1997 e desde há muito que é uma referência no circuito turístico lisboeta e uma imagem de marca da cidade.
Inaugurado a 10 de julho de 1902, já foi considerado o "rei dos elevadores" de Lisboa e a grande obra de Mesnier du Ponsard. aprendiz de Gustave Eiffel
Em 2 de Julho de 1900 iniciaram-se os trabalhos com a remoção de terras nas escadinhas de Santa Justa tendo a empreitada da construção metálica sido confiada a Cardoso D'Argent e Cª., firma estabelecida no nº. 29 da Travessa do Conde da Ponte à Junqueira, paredes meias com as instalações da C.C.F.L. de Santo Amaro. O processo adoptado consistia no estabelecimento de uma estrutura metálica vertical formando duas torres ligadas entre si, em cada uma das quais funcionaria uma cabine com capacidade para 24 passageiros. Esta era equilibrada com a sua gémea por meio de um forte cabo de aço que passava sobre um tambor instalado, tal como todo o mecanismo motor, no cimo das torres, no andar situado imediatamente acima da estação superior. Desta estação partia um passadiço metálico que, passando sobre a Rua do Carmo e assentando sobre o último andar do prédio nº. 69, propriedade do Conde de Tomar, efectuava a ligação com o Largo do Carmo.
Para que se pudesse proceder a alterações neste edifício foi necessário chegar a um acordo com o seu proprietário pelo qual se determinava a substituição do telhado por um terraço plano sobre o qual o passadiço assentaria. Em contrapartida o Conde de Tomar receberia anualmente a quantia correspondente a um por cento dos lucros líquidos conseguidos com a exploração do elevador, seis passes permanentes para a sua família ou quem eventualmente lhe sucedesse na posse da propriedade e a garantia das rendas de todo o edifício, computadas na altura em dois contos.
O lançamento do passadiço, construídas já as torres, teve lugar no dia 31 de Agosto de 1901, o mesmo em que a Carris inaugurou o serviço de eléctricos e foi, certamente, o momento mais espectacular de todo o período de construção já pela manobra, difícil e arriscada, já pela quantidade de público que, interessado, se instalou nas ruas e telhados próximos.
Num artigo publicado na revista "Lisboa - Carris" o Sr. Engenheiro Sande e Castro contou o que foi esse trabalho:
"Quem aí por cerca das duas passasse na Rua Nova do Carmo veria, ao cimo das escadinhas, inclinada para as torres do elevador, uma grande peça de ferro: estava ela articulada pelas suas duas extremidades: a inferior numa placa forte de fundação; e a superior no ponto central de uma viga de cerca de 30 metros de comprimento que se achava encostada às torres em posição vertical. A peça de ferro era um pilar oscilante; a viga o leito do futuro viaduto. Se estivesse ali perto alguém que soubesse informar, ficar-se-ia a saber que aquele pilar oscilante fora uma solução feliz de um grave problema. Sem ele a manobra de lançamento exigiria andaimes em grande número e muito resistentes que por várias semanas obstruiriam a circulação, além de constituir grave perigo. Também era temerário contar com a resistência das parede do prédio; e então Mesnier ideou o pilar.
Às duas e vinte começou a manobra. Em acção perfeitamente conjugada os aparelhos diferenciais iam fazendo subir o leito sempre ao correr das torres; isto obrigava o pilar a deslocar-se no que era auxiliado pelos guinchos e acercando-se pouco a pouco à posição vertical definitiva. E quando esta foi atingida, pouco faltava para que o extremo inferior do leito chegasse ao ponto em que devia ser cravado às torres; depois de um breve descanso a manobra continuou. O leito chegara ao seu termo e logo foi articulado como charneira; simultâneamente o outro extremo do leito pousava no terraço".
Lançado o passadiço as obras continuaram o seu ritmo normal. Em Junho de 1902 ensaiaram-se máquinas e cabines e no mês seguinte, a 10 de Julho, o elevador inaugurou o serviço público.
Nesse dia a chuva e a trovoada abateram-se sobre a cidade, mas nem mesmo assim esfriou o entusiasmo e a curiosidade de quantos quiseram experimentar o novo transporte ou apenas admirar o panorama.
Era meio dia quando, sob o olhar atento da multidão, se procedeu à experiência definitiva com as cabines transportando para a estação superior grande número de convidados e de representantes da imprensa. Pouco depois chegava o Secretário Geral do Governo Civil, Dr. Alberto Cardoso de Meneses, para presidir à cerimónia a qual teve lugar de imediato. Nessa ocasião, uma banda instalada no terraço do prédio do Conde de Tomarexecutou o hino nacional enquanto no ar subiam girândolas de foguetes.
Às 14 horas o elevador foi aberto ao público. Este pagava para descer 10 reis e para subir 1 vintém. Nesse dia venderam-se mais de três mil bilhetes e à noite houve um concerto pela banda que durou até cerca da meia noite.
Faltava ainda construir as estruturas destinadas a coroar a ponte e as torres. Mas como essas obras iriam não só interferir com o normal funcionamento do elevador mas também aumentar os custos de construção, já então considerados elevados, decidiu a empresa não os efectuar. Deste modo a cobertura das torres ficou reduzida a um simples terraço.
Com o fim de aumentar as suas receitas a empresa mandara colocar no terraço um telescópio pelo qual as pessoas podiam espreitar, pagando, e com o mesmo objectivo editou uma colecção de postais ilustrados com vistas do elevador, da cidade e dos arredores.
No fim do 1º ano de exploração o elevador transportara já mais de meio milhão de passageiros e ao terraço haviam subido 52.415 curiosos, dos quais 12.551 tinham feito uso do telescópio.
A 19 de Fevereiro de 1903 a Empresa do Elevador do Carmo transformava-se em Sociedade Anónima de Responsabilidade Limitada. Contudo, não se manteria durante muito mais tempo à frente dos destinos do elevador. Dois anos passados foi decidido em Assembleia Geral de Accionistas o seu arrendamento à Lisbon Electric Tramways limited (L.E.T.L.), firma inglesa que sob um estatuto semelhante fazia a exploração da rede de eléctricos pertencente à Companhia Carris. Obtida a necessária autorização por parte da vereação, foi celebrado, em 20-11-1905, um contrato pelo qual se procedia à transferência por arrendamento, não só da concessão como também de todas as dependências e anexos e bem assim dos direitos e obrigações inerentes aos contratos anteriormente firmados pela empresa arrendadora.
A transferência abrangeria todo o tempo de duração da concessão e o elevador seria entregue pronto a funcionar com todos os seus pertences, incluindo os existentes em depósito. A empresa arrendatária faria por sua conta a exploração pagando de renda a prestação anual de sete contos e trezentos mil réis, quantia calculada como o saldo líquido que a Empresa do Carmo auferiria caso fizesse a exploração directamente.
Pela cláusula nº 7 a Lisbon Electric Tramways Limited guardava ainda o direito de adquirir, por compra, tudo o que constituísse o activo daquela empresa, pela quantia de 125 contos contra todos os títulos representativos da mesma, a qual ficaria dissolvida a partir desse momento.
O ano de 1907 foi marcado pela electrificação do sistema, tendo a substituição das primitivas máquinas a vapor por outras eléctricas obrigado a uma paralização temporária. O novo método foi autorizado por despacho ministerial de 11 de Julho tendo as obras sido iniciadas ainda nesse mês.
Só em 1913 é que a Lisbon Electric Tramways Limited fez uso do seu direito de opção para a compra do elevador. Por carta datada de 23 de Outubro a Carris, representando aquela companhia inglesa, contactava a Empresa do Elevador do Carmo informando vir por tal meio
(...) em nome da L.E.T.L. comunicar-lhes que esta Companhia usa da opção que lhe é assegurada pela condição nº7 do contrato de 20 de Novembro de 1905 de adquirir todo o activo da empresa, mediante o pagamento de 125.000$00 (cento e vinte e cinco mil escudos) em moeda corrente para lhe serem entregues contra a apresentação sucessiva de todas as acções da mesma.
Em conformidade com os acordos estabelecidos a Lisbon Electric Tramways Limited deu cumprimento ao contratado adquirindo todas as acções (em número de 2500) que compunham o capital social da Empresa do Elevador do Carmo. Rapidamente comprou 2.495 acções pelo preço de 124.727$00; apenas não foi possível localizar cinco, numeradas de 2031 a 2035, representadas num único título.
A situação do impasse assim originada prolongou-se até 1938, altura em que foi decidido promover a consignação em depósito da importância de 272$50, atribuída às cinco acções em falta.
Válido o depósito e julgada extinta a obrigação daquela companhia, ficou liquidado todo o activo e passivo da Empresa do Elevador do Carmo que, por escritura de 24-12-1938, foi dada por dissolvida e inteiramente liquidada.
Em Agosto de 1943 a Lisbon Electric Tramways solicitou à Câmara Municipal de Lisboa que autorizasse a sua cedência à Companhia Carris. Esta transacção, que visava uma simplificação da situação, traduzir-se-ia simultaneamente num importante acréscimo aos valores activos desta última.
Após consulta ao Ministério das Obras Públicas e Comunicações, a Câmara autorizou o solicitado sob a condição expressa de que a concessão que a Lisbon Electric Tramways Limited ia ceder fosse integrada na rede geral de transportes de que a Companhia Carris era titular, constituindo desse modo uma concessão única. Por esta disposição a exploração do elevador ficava sujeita às estipuladas vigentes nos contratos celebrados entre a Câmara e a Carris e o prazo de duração da concessão era alterado de modo a coincidir com o da concessão principal.
Mas só em finais de 1973, por contrato celebrado entre a Câmara Municipal de Lisboa, a Carris e a Lisbon Electric Tramways Limited se procedeu ao seu trespasse.
Deste modo, setenta anos passados sobre a data da sua inauguração, o elevador do Carmo, mais vulgarmente conhecido como Elevador de Santa Justa, ficou definitivamente integrado na rede de transportes da Companhia Carris..
O elevador não cumpre a função para que foi construído desde 1996, altura em que o edifício Leonel foi encerrado e os residentes despejados. O prédio apresentava risco iminente de desmoronamento, segundo pareceres dos Sapadores bombeiros, do Laboratório Nacional de Engenharia civil e de técnicos camarários. No parecer do LNEC era adiantada a hipótese de que a colocação de micro-estacas nas fundações do Convento do Carmo, feita pelo Metropolitano de Lisboa, estava directamente ligada à situação do prédio.
Segundo a Carris o elevador transportou 114.503 passageiros em 2001. Comerciantes da Rua de Santa Justa afirmam que, desde que fechou a passagem que ligava à Rua do Carmo, a maior parte dos visitantes são turistas . Queixam-se da demora nas obras do prédio Leonel, paradas há cerca de sete meses por irregularidades encontradas pelo Tribunal de Contas na adjudicação da obra.

Em Fevereiro de 2002, tal como aconteceu com os ascensores do Lavra, da Glória e da Bica, também eles propriedade da Companhia Carris de Ferro de Lisboa, foi classificado como Monumento Nacional


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ecerbero wrote on Mar 22, '06
Bem interessante, vc já teve a oportunidade de entrar nele?
Abraços,
mila6 wrote on Mar 23, '06
Bem interessante, vc já teve a oportunidade de entrar nele?
Ola Dante

Já entrei nele sim. Moro a 2 quarteiroes (quadras) dele e passo por ele diversas vezes.
Subi nele durante anos para ir para o liceu, mas depois fecharam o passadiço... :( e como todas as grandes obras em Portugal... um dia destes vai estar pronto :(
Da esplanada temos uma vista deslumbrante de quase toda a Lisboa. Em dias de chuva é lindissimo porque a cidade fica como que "encoberta" por um manto de água... :)
Ok eu sou suspeita para falar disto nè? heheheh

bjinhos
luzazul wrote on Mar 27, '06, edited on Mar 27, '06
Belíssima foto.Parece que estou a ver a cidade através de uma harpa. Lindo.
Parabéns por mostrar lugar tão belo Amiga querida.
Vim trazer uma flor para ti.
Um beijo amazônico.
mila6 wrote on Mar 27, '06
Obrigada amiga pela flor e pela visita...
FIco muito feliz que tenhas gostado. De todos os elevadores este é mesmo o meu preferido... rsrrs
Bjinhos lisboetas
claricelerman wrote on Mar 31, '06
nice photo...
mila6 wrote on Apr 21, '06
Ola clarice
Este elevador é lindissimo... e tem uma vista espectacular sobre a cidade
Obrigada pela visita e pelo comentario.
Bjinhos
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